quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Uma Pausa para Outro Tipo de Prazer e Dor
Neste momento, aqui se despe a sonhadora e dá lugar à escritora. Um lugar que não é fácil pois voltar a realidade sempre é doloroso e sacrificante. A escritora que sonha com romances, cenas tórridas e, de certa forma, amor, se despede por um tempo. Indeterminado, de fato, mas necessário. Em meio a tantos sonhos, a realidade foi ficando esquecida e, do nada, foi arrastada novamente à uma realidade fria e solitária.
Quem conhece a escritora a fundo sabe que ela, desde sempre, muito pequena, apenas sonhava em fazer a faculdade certa para si, entre tropeços, soluços e desilusões, achar alguém legal, o cara certo ela dizia! "Aquele" cara... mas ao longo da vida foi percebendo que ela talvez não tenha sido feita para o amor. Por amar demais, desejar e doar demais, acabou esgotando suas esperanças e sonhos. Eles foram sendo desperdiçados aos poucos, a cada doação espontânea.
E tem se visto da forma mais solitária possível.. aquela em que se está dentre centenas de pessoas, mas tudo o que sobra é uma redoma fria e vazia! Vazia de amor, com desejo de sobra e força de menos. Sonhava em casar, ter filhos, ser uma eterna namorada para alguém, mas isso não é para ela. O amor ri da sua carinha tola e lhe aponta o dedo como quem dá uma gargalhada profunda do sofrimento alheio. Por muitas vezes ela tentou entender o que havia de errado consigo e com muito sofrimento, achava que sempre o mundo morria a cada dia por sua culpa. Afinal um mundo sem amor serve para que?!
As desilusões foram se apresentando uma após a outra e hoje, tudo o que sobra é uma máscara de felicidade colada com super bond para que não cora o risco de, por um deslize infeliz, cair e mostrar sua real face.. uma feição triste e desprovida de esperanças.
Não quer ser melhor que ninguém, não quer estar em primeiro lugar, mas as coisas que mais desejou não vieram e quando, por um suspiro achou estar completa, num piscar de olhos percebeu que tudo poderia desmoronar sem que ela pudesse controlar a situação. Foi sentindo tamanha dor que ela resolveu que sua vida estaria fechada para este tal amor (afinal ele não existe) que só surge para te vendar e fazer com que fique estúpida e idiota. Literalmente "na mão do palhaço"!
Ela se iludiu algumas vezes e hoje, percebendo seu erro, viu o quanto era tola em ainda tentar acreditar em algo que não foi feito para ela. Ela não tem direito a este gozo.. nem ao outro.. porque tudo o que ela queria e achou que tinha, lhe foi tirado. Mas isso serviu-lhe como uma dura mas valiosa lição! Levantar a cabeça é possível, necessário e se faz urgente.
O coração do amor e do homem deu espaço ao amor por ela mesma, pela vida dela e pela paixão de uma vida!
Então porque isso não parece suficiente? Porque não preenche esse vazio e sua voz continua a ecoar sozinha dentro daquele peito aflito?
Porque uma metade dela é feita de amor.. e a outra metade também!
Só que essa outra metade não vem.. não chega.. só se afasta e se ilude em outros braços e outros cantos. Enquanto isso ela aqui sozinha, desconhece essa tal metade que insiste em se distanciar dela, se aproveitar da cegueira da comodidade e vendar-se ainda mais.
Se ela soubesse que seria tão difícil assim crescer, teria preferido ficar pequena para sempre em meio as bonecas e as ilusões de rainha. Porque ela sempre quis tudo e muito mais, princesa não bastava, tinha que ser rainha e Cleópatra por favor!
O olhar daquela menina se esfria a cada piscada, a cada choro e por mais que ela se levante todos os dias para caminhar naquela tortuosa e esburacada estrada, ela vai de cabeça baixa, porque se envergonha de quem não conseguiu ser, de quem não conseguiu ter e de ainda estar a espera de uma brisa.
É fato que ela, desbravadora que é, luta todos os dias para se manter de pé e continuar a jornada.. ainda que sozinha! Mas a cada dia mais cansada e mais sozinha. Tem dias que ela não consegue levantar a cabeça e estes dias são mais difíceis de se terminar. Para quê voltar para uma casa vazia? Vazia de risos, de preocupações, de afeto e de amor!
Ela, neste momento, neste dia, nesta vida, só queria poder dormir. Permanecer numa letargia utópica e plácida! Talvez assim o tempo passasse mais rápido! Ou talvez apenas não sentisse as dores de se estar de pé!
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